Nossos escritórios no Rio de Janeiro e em Recife sediaram o primeiro Café Scientifique no país, por videoconferência. Convidamos o Dr. Tom Shakespeare, um dos principais cientistas de bioética, atualmente diretor do PEALS (Policy, Ethics and Life Sciences Research Institute), em Newcastle, para falar sobre Terapias com células-tronco.
Leia a biografia do Dr. Tom Shakespeare.
TERAPIAS COM CÉLULAS-TRONCO: PESADELO OU PANACÉIA?
O evento aconteceu uma semana após a sanção da lei de Biossegurança no Brasil, com transmissão por videoconferência do Reino Unido, reunindo aproximadamente 45 pessoas.
Entre os participantes, compareceram estudantes de nível médio e da área de ciências, jornalistas que atuam na área científica, interessados em geral, pós-graduandos, além de cientistas, como Fermin Roland Schramm, bioeticista suíço que vive no Brasil há mais de vinte anos e atua na Fiocruz, parceira do British Council, e do Fisiologista da UFPE, Paulo Faltay, responsável também pela divulgação científica do Espaço Ciência, parceiro do British Council em Recife.
Shakespeare levantou questões como: qual é a percepção que temos, no Brasil, do uso de células-tronco para o desenvolvimento científico? Quais são as diversas questões, negativas e positivas, que envolvem a referida utilização? No caso de se achar que os aspectos negativos se sobrepõem aos positivos, o que é possível fazer?
A maioria dos participantes fez uma avaliação positiva da aprovação legal do uso de células-tronco para o desenvolvimento científico. No entanto, foram levantadas questões como a dificuldade de acesso a informações precisas para a formação de opinião resultando em uma ainda superficial intervenção da sociedade civil no processo de decisão.
Fermin Rolan Schramm, convidado para coordenar parte do debate no Rio de Janeiro, disse que a discussão sobre o uso de células-tronco para o desenvolvimento científico deve ser feita distante de argumentos emotivos, religiosos e baseados em crenças. Já Paulo Faltay levantou o perigo de se priorizar a pesquisa em detrimento de estudos sobre doenças que atacam uma grande parcela da população, em especial a menos favorecida, como a tuberculose, a dengue e recentemente a doença de Chagas.
A estudante de ciências biomédicas, Arywska Souza, elogiou a iniciativa do British Council em oferecer eventos como esse, com o objetivo de ampliar o debate e possibilitar maior fluxo de informações. “Estou muito satisfeita com a organização do Café Scientifique. É muito importante que temas como esses sejam incluídos no debate público. As pesquisas crescem se há ampla participação da sociedade”, disse.
O primeiro Café Scientifique promovido pelo British Council no Brasil demonstrou o quanto é possível e desejável integrar a sociedade civil e cientistas em torno de debates públicos cujas conseqüências são fundamentais para todos os cidadãos.
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