Esta exposição comemora as conquistas fotográficas de Fay Godwin através de uma retrospectiva de seu trabalho, incluindo as fotografias literárias, instantâneos cômicos, paisagens urbanas e rurais e os trabalhos coloridos que marcam a última evolução de sua visão.
Nascida em Berlim em 1931, filha de um diplomata britânico e de uma artista americana, sua criação e educação não foram convencionais, já que sua família mudava-se constantemente de um país para outro. Seu desejo de expressar-se através de palavras ou imagens foi desencorajado primeiramente por seu pai e, posteriormente por seu marido, que achavam que ela deveria empregar seu tempo de forma melhor e mais apropriada. Por volta de 1958, de volta para a Inglaterra, começou a trabalhar para a editora John Murray, onde foi responsável pelas capas de livros e pela parte tipográfica da editora. Nesta época casou-se com Tony Godwin, conhecido comerciante de livros e só depois que seus dois filhos entraram para a escola passou a ampliar e revelar seus trabalhos, mas a mudança radical ocorreu em 1969, com o fracasso de seu casamento. Seu marido, antes de partir sugeriu que arrumasse um emprego mais sério e seguro. Godwin encarou este fato como um desafio e, ao invés de seguir a sugestão, comprou, em inúmeras prestações, uma das mais caras e sofisticadas câmeras e passou a dedicar-se à fotografia.
Sem nenhum treinamento formal, com sua experiência com publicações e vivência no mundo da literatura, passou a tirar retratos de escritores e poetas para usá-los nas capas de livros. Duzentos dos mais famosos escritores britânicos foram por ela retratados. Passou a publicar livros, influenciados pelos guias para caminhantes, utilizando a fotografia para encorajar os viajantes a visitarem o campo. Logo percebeu que para tornar-se uma fotógrafa de paisagem era necessário ter a capacidade de capturar no filme a sua própria reação emocional à beleza dos campos. Sem o domínio das técnicas da fotografia e o controle preciso sobre seus materiais, ela aprendeu tudo da forma mais difícel, através de repetidos fracassos. Mas sua obstinação, tenacidade e determinação a fizeram continuar. Normalmente Godwin permanece cerca de 2 horas em um local fotografando as sutis mudanças da luz. Ela descreve sua apreciação da luz como "sentir o tempo" até ter a luz perfeita e controla as nuances de seus negativos em níveis muito delicados para manter a informação registrada em uma variedade de tons, do brilho tremeluzente à mais profunda sombra. O tamanho de suas fotografias é crucial para a maneira como elas são vistas e Godwin jamias imprimiu fotos maiores do que 24 x 20 polegadas, preferindo escalas menores como 16 x 12.
Embora seus livros não tenham se tornado um sucesso comercial, marcaram seu lugar na história como os primeiros livros ilustrados por fotografias.
Ao encontrar-se pela primeira vez com o poeta Ted Hughes, em 1970, ele gostou tanto de suas fotografias que sugeriu escrever poemas em resposta às suas imagens. Esta colaboração frutífera ajudou Godwin a estabelecer sua identidade fotográfica, ao apresentar seu trabalho para uma gama maior de leitores para os quais a poesia de Hughes havia sido a atração inicial e o sucesso deste trabalho permitiu a Godwin perceber a direção futura de suas próprias publicações.
Em seu livro Land (Terra), parte de sua estratégia é apresentar trabalhos onde a figura humana foi excluída, mas enquanto seguimos para o sul, das remotas paragens escocesas até os estuários da costa de Kent, a intervenção do homem na paisagem vai se tornando mais aparente até transformar-se no tema preponderante das composições. A inclusão de fotos de paisagens destruídas e poluídas foi um tiro de advertência e 5 anos mais tarde Godwin elevou seu nível de consciência crítica publicando Our Forbidden Land (Nossa Terra Proibida). O livro foi dedicado à Associação Ramblers, da qual Godwin havia se tornado membro nos anos 50, tornando-se sua Presidente de 1987 a 1990. Neste importante livro Godwin foi tanto escritora quanto fotógrafa e selecionou a poesia contemporânea que entremeava sua narrativa. É uma poderosa investida contra a política da Comissão Florestal, do National Trust, do Patrimônio Inglês, do Ministério da Defesa e do Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação, pela atitude míope e equivocada com que tratavam a terra deixada aos seus cuidados. Pela primeira vez Fay Godwin transforma sua câmera em instrumento de investigação e seus questionamentos em reportagens, chamando a atenção para os problemas da poluição ambiental e dos lençóis freáticos, dos alimentos transgênicos, da salmonela, das doenças do gado e da monotonia estéril das plantações de coníferas que elevam-se como metáforas silenciosas às atitudes governamentais. O livro é totalmente didicado à intervenção do homem na natureza. Este projeto consumiu suas energias e resultou numa estafa. Entretanto, o livro foi escolhido como o "Livro Verde do Ano". Cinco anos mais tarde, Fay retomou esta luta com a publicação do 3º livro desta trilogia, The Edge of the Land, que examina aspectos ambientais, econômicos e sociais enfrentados por regiões costeiras. Fay Godwin se considera uma fotógrafa documentarista, embora suas imagens pareçam estar enraizads na tradição da paisagem. Mas o que ela busca transmitir é sua necessidade de reportar sobre o estado da paisagem; de trabalhar com a paisagem com a mesma motivação de uma fotógrafa documentarista, revelando as condições sociais das cidades do interior.
Durante 1986 a 1987 passou a explorar os aspectos mais formais da fotografia colorida e criou vários trabalhos documentais sobre as mudanças culturais refletidas na paisagem urbana e nos arredores de Bradford onde estudava. Mas Fay Godwin trabalha em vários tema simultâneamente e assim surgiu também a série Glassworks & Secret Lives (Trabalhos em Vidro e Vidas Secretas) que teve sua origem em fotos tiradas de jardins abandonados e nos trabalhos em cores mais vigorosas realizados em Bradford, com a utilização de uma Polaroid.
Fay Godwin continua a trabalhar ainda hoje, utilizando-se das novas tecnologias do computador e impressão digital, para realizar pequenas e delicadas imagens em cores e preto e branco.
" As fotografias de Fay Godwin são sobre o mundo real e as pessoas que nele habitam, mas transformado de forma imaginativa e realçado pelo olhar sensível, perceptível e sempre irônico e crítico da fotógrafa. São trabalhos que excitam e inspiram, ao mesmo temo que explicam e informam "
Prof º Paul Hill, Universidade de Montford Departamento de Fotografia, Vídeo e Design Gráfico
Os trabalhos de Fay Godwin podem ser adquiridos através da:
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